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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Madeira, de Moto

Chegou finalmente o tão desejado dia.
Domingo, 31 de Maio de 2009.
Dormi pouco, acordava frequentemente. Apesar das inúmeras viagens que já fiz, esta, algo a tornava diferente e única. O destino era o Funchal e o meio de transporte usado para passageiro e moto, o ferry da Naviera Armas. Vinte e duas horas de travessia pelo oceano atlântico. Meteram-me muito medo com enjoos, mareanços, etc. Toma uns comprimidos... diziam-me.
De barco, "poucas?" viagens fiz: Oito travessias no estreito de Gibraltar, entre: Algeciras > Ceuta e Ceuta > Algeciras; duas entre: a Suécia > Dinamarca e Dinamarca > Suécia; quatro entre: S. Salvador da Baía, Brasil > lha dos Frades e Ilha dos Frades > S. Salvador da Baía; Cuba, Varadero: 1º passeio: um dia de barco com visita aos bancos de corais e Golfinário, almoço de lagosta a bordo; 2º passeio: visita a uma pequena ilha, paradisíaca, almoço servido com as mesas e cadeiras montadas na praia, dentro de água, qual manjar dos deuses no Éden; Senegal, duas entre: Dakar, > Ilha de Goré e Ilha de Goré > Dakar; duas entre: Bissau > ilha de Bolama, no arquipélago dos Bijagós e ilha de Bolama > Bissau, numa rudimentar piroga, viagem curta em distância, mas de longa duração em tempo, e sob um sol abrasador; Tunísia, passeio de um dia a bordo de um "Barco Pirata"; um sem número de viagens de ferry no Sado entre Tróia > Setúbal e Setúbal > Tróia e ainda algumas aventuras de zebro no Rio Mira: Vila Nova de Milfontes > Odemira > Vila Nova de Milfontes.
Esta sim, era uma travessia à séria, nas palavras de quem, mais não pretendia do que intimidar-me com o mar, mas, como sou teimoso e tenho alguma aversão aos químicos, comprimidos nem vê-los. Não foram precisos.
O ponto de encontro marcado para a partida foi em Sines. Eu e mais dois companheiros, partimos mais cedo. Finalidade: comprar pão e as deliciosas empadas do Rogil, e ainda… uma boa teca de cervejolas para a viagem, três duziazinhas, uma dúzia por cabeça. Com este artigo bebível, estava o nosso amigo L.G. à espera em Portimão, junto ao cais de embarque. No barco custaram cinco vezes mais.
Tinha então chegado o resto do grupo: 16 motos e dois “enlatados”. “Enlatados” que num piscar de relâmpago, passaram de um “só estorva” a “até dá jeito”, na mobilidade interpretativa do H.M. Concordo que dão jeito.
Cumpridas as formalidades de embarque e feito o chech-in, entrámos com as motos no barco, para o piso 4, onde já estavam um número considerável de galeras.
Amarradas as motos, subimos ao piso 6. Foi neste piso que abancámos. É o piso onde se encontra a recepção, o bar, o restaurante self- service, a zona dos beliches e, claro, algumas camaratas com poltronas.
Levantámos âncora. Eram 12 horas.
Começava a nossa odisseia marítima, rumo à ilha da Madeira.
Parti à descoberta do barco, e verifiquei que havia outro bar, e piscina, no oitavo piso.
Montámos aqui o primeiro estendal: umas empadas e duas divinais omeletas de espargos silvestres, apanhados pelo Capitão Espargo.
Notei, notámos, que sendo a zona onde menos se sente, aquela tão característica vibração própria dos navios, é contudo, onde se sente mais a ondulação e a ventania.
Assim decidimos montar o estendal no sexto piso, frente ao bar, na popa do navio. Espectáculo. Foi um turno de fartar: oito divertidas horinhas, a comer e beber. Cervejas mais de cem. E…muito gelo, para duas garrafas de whisky, uma era de litro. Tarefa hercúlea.
Os empregados do bar afirmaram nunca ter visto nada parecido. Foi almoço, lanche e jantar. Chegou a noite. As poltronas e o chão, esperavam os utentes. Cada qual dormiu como pode. Houve um festival de ronco, grátis, diga-se… e umas morteiradas estrondosas.
Sete da manhã, abriu o self- service, para começar a servir os pequenos-almoços.
Pouco tempo depois começamos a vislumbrar as ilhas Desertas e a ilha de Porto Santo. Por fim a ilha da Madeira.
Ponta de São Lourenço, Machico, aeroporto, Funchal, e cais de desembarque à vista.
Atracámos por volta das 10 Horas e 30 minutos do dia 1 de Junho de 2009, segunda-feira.
Feito o desembarque de passageiros e motos, seguimos para ao Hotel Monumental Lido.
Como estabelecido no programa de festas, previamente feito, o resto de dia era livre, cada qual faria o que mais lhe agradasse.
Enquanto arrumavam os quartos para entrega, num restaurante próximo, aconcheguei o estômago com uma sopinha de tomate, acompanhada com uma bifana em pão do caco com alho. Adorei.
Tomei de seguida um retemperador banho. Foram 30 horas sem passar uma águinha pelo lombo.
Tenho por hábito, sempre que chego a um sítio desconhecido, tentar familiarizar-me o mais rápido possível com o local, e a melhor forma que encontro é munir-me de um mapa e fazer um city-tour. Assim fiz, mais me acompanharam, fizemos o percurso amarelo e o azul, resultou na perfeição.
Mal havia saído do autocarro, e eis que toca o telefone, era o meu amigo Q.F.
- Onde estás? Pergunta-me
- Num bar frente ao Hotel, respondi
- Vem ter comigo, ao bar “A Cuba”, na Rua do Bispo. Tem aqui um “seco” especial.
- Onde fica? Perguntei
- Frente ao Museu de Arte Sacra, perto da Sé.
- Já sei onde fica, passei por aí perto, há pouco num city-tour.
Comigo estavam também o J.R. e o A.G. Fomos os três ao encontro do Q.F.
Estava sentado na esplanada, já com um jarrinho de “seco” e uma travessa de picadinho. Sentámo-nos também.
Mandámos vir mais um jarrinho de “seco”, ou verdelho, porque assim também é conhecido o dito vinho, e uma travessa de carne-de-vinha-e-alho, e… mais pão do caco com alho
Que magnífica entrada para o jantar que se seguiu no hotel.
Após o jantar, fui beber uma “poncha” no bar do hotel. Havia música ao vivo e baile.
Foi uma noite memorável, digna de registo, efeito de quatro ou cinco “ponchas”, feitas com laranja ácida, aguardente de qualidade duvidosa, mas sem dúvida alguma, de forte graduação. Bateram fundo. Valeram espectáculo, reservo-me à omissão dos pormenores.
Como vi brilho nos olhos de umas francesas.
Dia 2 de Junho, terça-feira.
Como combinado, pelas 10 horas, já depois do pequeno-almoço tomado, partiu o grupo, melhor, os grupos, formaram-se dois, para a aventura mototurística, por lugares da ilha da Madeira.
Para mim não foi surpresa, o que aconteceu, a divisão, pairava no ar, surpresa sim, foi a justificação dada para a divisão. O grupo era grande, podia-se partir e alguns perdiam-se. É verdade, como verdade também é, que, é nestas situações que os grupos precisam de elementos que os saibam reagrupar / rebocar. Já se rebocaram até Jerez, infantis, iniciados, debutantes, estreantes, mota e viagem. Etc…
Não sou homem de prestar vassalagens, a vassalagem acabou com o feudalismo, e o meu feitio “zapatista” a isso me impede, mas se tivesse no grupo que tirar o chapéu a alguém, esse alguém, seria sem dúvida, o homem que tal justificação apresentou. São milhares os Kilómetros já percorridos juntos, aliás, esse era um dos meus medos, quando se levou o grupo Açoreano a Sevilha, e as motos não eram menos, parti-lo nos semáforos. Andar em Sevilha, é bem mais complicado, que andar no Funchal ou em toda a ilha.
Mas, entrar em Sevilha, visitar a Catedral, era ponto de honra. Impensável de acontecer os meus receios. Mas lá, porque ilha é ilha… já podia acontecer.
Acredito que a justificação, foi proferida um pouco atabalhoadamente, impensadamente, porque a ser verdade, o veteraníssimo traquejo mototurístico, e sentido de orientação, obrigar-te-ia a ajudar a “rebocar” os mais inexperientes. Quem tanto empenho teve na preparação da viagem, merecia essa colaboração.
A.P. Ambos sabemos a verdadeira razão. Que assim morra. Amem.
Saiu o meu grupo rumo ao Pico dos Barcelos, a 355m de altitude, com deslumbrante e panorâmica vista sobre a cidade e o mar, local de privilégio para ver o colorido fogo de artifício de Ano Novo e os luxuosos cruzeiros fundeados no oceano. Tem a vista por pano de fundo, as Ilhas Desertas.
Subida para a Eira do Serrado. A estrada é sinuosa mas é espectacular a vista sobre o Vale da Ribeira dos Socorridos. Aqui chegados, os primeiros avisos: Na mota do J.R. o ponteiro da temperatura da água de refrigeração teimava em encostar ao vermelho, o “enlatado” do T.C. teimava em não corresponder aos disparos solicitados. Pudera, estávamos a subir aos 1095 metros de altura.
Para alcançar o miradouro da Eira do Serrado é necessário fazer um percurso a pé de cerca de 15 minutos, é cansativo, para quem como eu, vestia todo o equipamento. Mas, magnifica vista sobre o amplo vale e a pequena freguesia do Curral das Freitas e a antiga estrada entretanto fechada, o acesso ao povoado é feito por um túnel com 2404 metros. Descida da serra, em velocidade, como os ouvidos zunem, e nova subida aos 550 m, ao Monte. Passámos pelos “carreiros”, condutores dos tradicionais “carros de cestos” para quem gosta de emoções fortes. Isso, prometem, nas viagens de regresso ao Funchal. Pausa para comer um geladinho, na esplanada do Largo da Fonte. Capela do Monte, vista sobre o Jardim da Fundação Berardo, dizem que todo o ano em flor, e continuamos a subida rumo ao Pico do Areeiro, a 1818 metros de altitude Começou entretanto a cair uma densa neblina e a ficar fresco.
Parámos no Poiso, a 1413m e resolvemos almoçar, na Casa de Abrigo Do Poiso, Bar Restaurante. Pela segunda vez comi uma quentinha sopinha de tomate.
Muito pão do caco com alho, recheado com pregos, bifanas, entremeadas…
Tínhamos à partida definido o programa de festas, mas com o alterar das condições climatéricas, resolveu o grupo alterar o percurso. O Pico do Areeiro ficaria para outro dia, assim como a passagem por Ribeiro Frio. Para isso contribuiu fortemente o Zé, nado e criado na ilha, pessoa estupenda, conhecedor da ilha como ninguém, que nos proporcionou visitar lugares impensáveis, fabulosos, tão ao gosto dos amantes das duas rodas, acreditando contudo, que alguns percursos foram demasiado exigentes para alguns, ouviam-se os comentários. Terminado o almoço, seguimos para a Portela. Paragem num miradouro, com uma bela panorâmica, a 669 metros, fotos da praxe, e, eu entrei numa tasquinha. Perguntei se havia “poncha”, Quantas são? Sete, respondi.
Que surpresa. Foi a “poncha” feita ali, na nossa presença. Limão suculento, mel de abelha de qualidade superior, aguardente de cana de esmerado fabrico. Das dezenas que acabei por beber, nos dias que passei na ilha, feitas com limão, com laranja, com maracujá, aquela foi a anos-luz a melhor de todas. Excelente. Divinamente excelente. Descemos para Porto da Cruz, paramos na Praia da Alagoa. Perto, estava em funcionamento uma fábrica de destilação de aguardente de cana-de-açúcar, com um bem visível, pintado de vermelho “COMPANHIA DOS ENGENHOS DO NORTE”.
Dirigimo-nos até lá. Veio à porta um funcionário, que com a maior das amabilidades nos convidou a entra e a visitar a “fábrica”. Fiquei a saber, que tinha sido montada em 1917, com os engenhos vindo de uma outra fábrica, que teria seguramente uns duzentos anos. Notava-se. Segurança era termo desconhecido naquele espaço. Lema:  "O perigo é a minha profissão".
Fui convidado a provar a aguardente ex-libris do dia: nada menos do que 64º de alcaria, faço-me entender, mas saborosíssima. Seguimos então para Santana, passamos o túnel do Faial, o mais comprido dos já feitos, pela primeira vez rolei na ilha em velocidade acima dos dois zero zero, coladinho ao Zé.
Santana, com as suas casas triangulares com jardins pitorescos, conhecidas por “casas de palha”, por apresentarem telhados de colmo, são uma das imagens de marca da ilha.
Continuamos: S. Jorge, Cabanas, Arco de S. Jorge, aqui, ofereceu-nos S. Pedro uma valente chuvada, que nos acompanhou por Ponta Delgada, até S. Vicente. Convém referir que foi no pior local, a estrada é antiga, muito sinuosa, piso bastante degradado, e os túneis são os da velha geração, a água que provinha das infiltrações, formava lagos no pavimento! Está para breve a abertura dos novos túneis e da nova via expresso. Amainou o tempo e parámos em Serra de Água, na “Taberna da Poncha”, a “Poncha da Serra d’Água”. Estão as paredes no interior desta taberna, completamente cobertas com centenas de vulgares cartões de visita. Encontrava-se apinhada de gente, homens, mulheres, tudo a beber, e facto nunca visto, o chão coberto de toneladas de cascas de amendoim, que formavam um tapete com altura considerável. É culto na “Taberna da Poncha”: muita poncha bebida, muito amendoim comido, muita casca de amendoim no chão. Depois de 2 garrafas benzidas, rumamos ao Funchal, parqueamos as motas na garagem do hotel. Percorremos 160 kms. O jantar foi servido no hotel. Passagem pelo bar do hotel, a animação é uma constante, mas foi parte do grupo parar a um bar marroquino, tão do agrado do P.C., este, sportinguista. Decorria uma sessão fotográfica, com os modelos, femininos, trajados a rigor. Duas moças, mereceram-me nota elevada, pelos esculturais corpos apresentados. Que deleite à vista.
Dia 3 de Junho, quarta-feira
Após o pequeno-almoço, partiu o nosso grupo rumo ao Cabo Girão, o mais alto promontório directo sobre o mar da Europa e o segundo mais alto do mundo. Fica a 580 metros de altitude. Como se via o mar claramente limpo. Está já exposto no local, foto de como será no futuro, vai sofrer obras de remodelação. Seguimos viagem, passando novamente frente à “Taberna da Poncha”, subindo da Serra De Água até à Cumeada. A paragem seguinte foi nas grutas de origem vulcânica em S. Vicente.
Eu, o P.C. e o A.B. resolvemos em vez da visita ás grutas, esperar pelo grupo numa esplanada em S. Vicente. Escolhemos o restaurante Caravela e em boa hora o fizemos.
Umas “bjecas” para refrescar o animo, umas lapas para abrir o apetite, secundadas de uns valentes tacos de atum e umas joalheiras?! assim estava na ementa, assadas no forno. Tudo impecavelmente confeccionado. O preço uma surpresa, o valor de um pequeno-almoço. Chegou entretanto o resto do grupo. Almoçaram nesse mesmo restaurante. Foi o único restaurante, onde vi servir a tradicional espetada madeirense, em pau de louro.
Terminado o almoço seguiu o grupo até Chão da Ribeira, por subida bastante acentuada, daqui penetramos por estrada de terra, na floresta Laurissilva, património natural mundial. Era ideia do Zé fazer uma visita a um centro de reprodução de trutas. Estava fechado.
Invertemos a marcha e seguimos para o Seixal. Tiramos umas fotos junto ao centro de treinos de canoagem do Seixal, onde se encontravam bastantes participantes. O Meeting de Canyoning Madeira 2009, organizado pelo Clube Naval do Seixal e pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), realizar-se-ia de 5 a 12 de Junho naquele local. É neste local que se avista o véu da noiva, efeito provocado pela dispersão da água nas enormes quedas visíveis na montanha. Daqui, até Porto Moniz, foi rolar numa alternância entre a velhinha estrada ER 101, estrada construída pela escavação na rocha escarpada e a nova VE 2 (via expresso). Nova paragem em Porto Moniz junto ao complexo das piscinas naturais ali existentes. Digno de ver.
Nova partida e enfrentamos a mais íngreme subida, Porto Moniz – Lameiras. Passada a subida, foi rolar alegremente pelo planalto entre os 1020 e os 1300 metros de altitude até à Fonte do Bispo. Aqui a mais agradável surpresa. O Zé enfiou-nos por uma antiga estrada de paralelepípedos, que conservavam ainda algum vestígio de asfalto, que em tempos os devem ter coberto, sem considerar em alguns lugares a falta de tudo, ironia, até uma localidade de nome: Prazeres.
Na altura que escrevo estas palavras, está na estrada a 11ª edição do Portugal de Lés a Lés em mota. Nós fizemos a nossa etapa na Ilha da Madeira. No final um prémio: a soberba vista sobre o Paúl do Mar. Era do local em que nos encontrávamos, que em tempos idos, partiam os agricultores, com as cestas carregadinhas de batatas, para Paúl do Mar, para trocar por peixe fresco. A violência que seria subir carregado com o peixe, por aquelas veredas.
Descemos ao Paúl do Mar. Paúl do Mar, é famosa, porque os seus habitantes são considerados os melhores “olheiros de atum” do planeta. De helicóptero, olham o mar e avisam os barcos da posição onde o peixe se encontra. Na "Tasca do Bexiga" bebi umas fresquinhas. Seguimos para a Calheta. Dizem que é a melhor zona de praia na ilha da Madeira. Breve visita à vila, e seguimos direitos ao Funchal, passando por: Ponta do Sol, Ribeira Brava, Câmara de Lobos. Chegada ao hotel, com mais dois kilómetros percorridos que no dia anterior, 162. Jantar servido novamente no hotel. Nessa noite, no bar, foram os hóspedes presenteados com a actuação de um grupo denominado “Las Chicas Calientes”.
4 de Junho, quinta-feira. Dia livre.
Contudo, optou a maioria do grupo por um passeio organizado por uma levada.
Eu, devido a um compromisso pessoal já assumido, terei de estar presente, novamente na ilha, na primeira quinzena de Outubro. Resolvi então, visitar o aeroporto, localizar o hotel, já marcado, afim de facilitar a minha próxima estadia. De moto, sozinho, fui então até Santa Cruz. Resolvi vasculhar toda a parte inferior do tabuleiro do aeroporto, a fortuna que ali está em ferro e cimento. Dirigi-me ao aeroporto, localizei a zona de chegadas e partidas e parti então para o centro do Funchal, à descoberta do hotel. Tarefa cumprida.
É chegada a hora de almoço. Fui comer “Á Cuba”. Recomendaram-me uns carapaus fresquinhos, grelhados, pão do caco com alho, e um jarrinho de verdelho. Foi o que comi e bebi. Fiquei que nem um abade!
Porque há tentações, chamamentos, a que dificilmente se resiste, e tendo sempre presente, que se deve fazer o bem sem olhar a quem, passei duas horas da tarde em boa companhia, com um alívio de duzentos €uroses.
Tinha já decidido jantar fora, com outros companheiros. Fomos jantar ao restaurante “O Lagar” em Cãmara de Lobos, uma típica espetada madeirense. O vinho foi demasiado caro.
Acabou a noite no bar “Aqui Há Poncha”. Mais não era que um refresco: maracujá com mel e aguardente, e muito gelo. Que saudade da poncha da Portela. Essa sim.
Dia 5 de Junho sexta-feira
Tinha o grupo novo passeio de moto agendado. Pelo que ouvi, a dureza do percurso pedestre fez-se sentir. Após o pequeno-almoço, penduras presentes, só as mais resistentes, e motas, algumas ficaram na garagem. Como diz o velho adágio, poucos mas bons, quero dizer, os mais "duros", e lá resolvemos fazer mais um passeio para os lados da Ponta de S. Lourenço. Visitamos Santa Cruz, Machico, miradouro da Casa da Sardinha, Ponta de S. Lourenço e descemos até a zona industrial do Caniçal. Paragem para beber uma água no snack-bar que estava aberto. Estava na hora de almoço, e não havia consenso quanto ao local. Restaurantes: Montanha, com vista sobre o Funchal, ou S. António no Estreito de Câmara de Lobos. Escolhi o restaurante S. António. Escolha acertada. Fomos apenas quatro. A seguir ao almoço fui novamente ao Cabo Girão, para umas últimas compras e à “Taberna da Poncha”, para a despedida. Sábado era dia de partida. Jantou o grupo no hotel à mesma hora.
Acabei a noite no centro do Funchal e nos bares da Marina.
Dia 6 de Junho, sábado
O dia mais difícil. Hora de regresso, agora que estava perfeitamente ambientado.
Embarcamos pelas 11 horas, no mesmo barco e ocupamos a mesma camarata.
Repetiu-se o ritual da ida. Farnel e bebida. Desta vez até uns tomatinhos para uma salada de atum. Estava deliciosa. Para surpresa, durante a tarde, houve animação na zona da piscina: um espectáculo com quatro drag-queens. Os mesmos que animaram a noite, no bar, no sexto piso.
O P.C. somou nesse dia, mais um ano ao meio século já vivido. Houve bolo e cantaram-se os parabéns. Outra animação houve. Particularmente gostei dela.
Chegamos a Portimão pelas 9 horas de Domingo, dia 7.
De Portimão até Santo André foi rolar calmamente, a recordar as coisas boas vividas. Foram 865 Kilómetros no total.
Está já em preparação uma viagem aos Açores.
Não faltarei. Assim espero.
Beijinhos e abraços, ás companheiras e companheiros de viagem
Zé Morgas

5 comentários:

  1. Morgas,

    è caso para te mandar pr'o carvalho!!!

    A.P.

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  2. Ó Zé, eu já tenho 66 anos e a "puxares" assim por mim fico sem fôlego. Uff!!! Que viagem!!! Bem descrita, com sentimento q.b., muita ironia e uma capacidade enorme para nos "transportares" contigo por desejarmos estar lá, naquela hora, naquele lugar, pela tua companhia e pelo que de lindo se vê e o que de bom se come. Li "de fio a pavio". Parabéns!!!
    Abraço amigo do teu velho professor.

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  3. Muito bem morgas

    Assim é que é.

    Relato do melhor

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  4. Gostei,bem descrita ,mas julgo que devias dar mais relevo,as motardes que foram connosco e à organização que trabalhou até dizer chega.....e nada falhou.
    Hernâni(sem lay-off)

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  5. De
    JPSA

    Já lá vão uns anos que por falta de trabalho, e porque não estava disposto a trabalhas para os sanguessugas daquela bela vila raiana “PENAMACOR”, fui obrigado a migrar para a capital.

    Apesar de continuar com residência na minha amada terra, onde me desloco cada vez menos vezes, fiquei contente por ver que ainda há quem repare nas atrocidades que constantemente se vão fazendo por lá.

    Por isso parabéns.

    Quero aproveitar para levantar mais uma lebre.

    Ainda não há muito tempo, vi o Ex. Sr. Presidente com outros autarcas da região e membros do governo na televisão, numa cerimónia para inaugurar um novo canal de rega para aproveitamento das aguas da barragem da Meimoa/Meimão.

    Pensei, è desta que a agua chega a vila e as aldeias mais a sul, mas mais rápido que um suspiro este pensamento que seria uma bênção para os agricultores da região referida foi por agua a baixo no tal canal, mas foi para outro conselho.

    Um canal que alimentasse as terras da vila e aldeias mais a sul será tecnicamente impossível, inviável ou será que outros interesses que não os dos agricultores, mas sim os interesses daqueles que se julgam donos da vila são mais importantes.

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